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Praça das Mercês abrigará monumento à Diáspora Africana em São Luís

Gê Viana, Eduardo Inke, Dinho Araújo, Telma Lopes, Origes, Marcos Ferreira e Jesus Santos são os artistas que desenvolveram os painéis. (Foto: Divulgação)

Será inaugurado no próximo dia 30 o monumento à diáspora africana, na Praça das Mercês, que busca dar visibilidade à contribuição do povo negro para a cultura e identidade maranhense. No mês da consciência negra, o grande evento de inauguração contará com show do nigeriano nativo do povo yorubá Ídòwú Akínrúlí, que se apresentará com artistas locais. Toda a programação é aberta ao público e começa a partir das 17h30.

Executado pela Fundação Municipal do Patrimônio Histórico (Fumph), com patrocínio do Instituto Cultural Vale, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, o projeto requalifica a Praça das Mercês e cria o monumento diaspórico. A idealização contou com uma comissão de pessoas envolvidas nos movimentos negros e por estudiosos especializados nos temas relacionados.

Os temas abordados nos oito painéis foram trabalhados pela equipe da Fumph e pela comissão; são eles: baobá: origens diaspóricas; matrizes africanas: religiosidades; territorialidade: pertencimento ao lugar; culinária: afeto e empoderamento; tecnologias africanas: base e inspiração; arte e cultura: expressões, memórias e heranças; intelectualidades negras e (re)existências: historicidade e militância.

O monumento é composto por oito painéis de 6 x 4,8m que foram produzidos por artistas negros maranhenses que têm se destacado nacionalmente no campo das artes visuais, como é o caso do grafiteiro Origes. Ele tem painéis por toda a grande ilha, sendo sua principal inspiração as máscaras de cazumbá, além de ter sido contemplado em terceiro lugar pelo Prêmio Funarte: murais do centenário da semana da arte moderna. “O grito”, a obra premiada, homenageia e coloca em evidência os rostos de Marielle Franco, George Floyd e o menino João Pedro. Sua obra critica o racismo e a desigualdade vivenciados pela população negra. O mural premiado tem 200m2 e está localizado na caixa d’água do Bom Menino, no Centro de São Luís. No monumento à diáspora africana Origes homegeia Negro Cosme.

Além de Origes, Emi Ajé Dudu, Gê Viana, Eduardo Inke, Dinho Araújo, Telma Lopes, Marcos Ferreira e Jesus Santos também assinam o monumento.

Em cada painel os artistas trabalharam a partir de um tema que se relaciona diretamente com o protagonismo do povo negro, suas contribuições formadas a partir do seu processo de (re)adaptação nos territórios onde vivem e/ou atuam. A diversidade de técnicas utilizadas e o potencial de comunicabilidade da arte produzida foram atrativos que se destacam.

Além desses, outro painel, em granito negro, com 45 metros de comprimento, terá informações sobre as datas, os nomes dos portos de embarque e dos navios e a quantidade de africanos de diversas nações desembarcados no Maranhão entre os anos de 1693 a 1841.

Para a entrega do monumento, também está programada uma conferência com a jornalista, escritora e professora Rosane Borges, maranhense que hoje vive em São Paulo, e com o etnomusicólogo Kazadi Wa Mukuna, mediada pelo professor doutor Carlos Benedito, do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA.

A programação conta ainda com o lançamento de uma cartilha educativa, com ações de educação patrimonial, o que inclui visitas guiadas para alunos da rede pública de ensino ao monumento à Diáspora Africana no Maranhão.

A inauguração contará com o show Etaaré de música yorubá, produzido pelo coletivo Dan Eji.  O show terá a apresentação do multiartista, originário do povo yorubá, Ìdòwú Akínrúlí, da Nigéria, tendo como convidado especial o músico e produtor cultural moçambicano Otis Selimane, além da participação de artistas locais: o Ile Axe Akoro D’Ogum, com o tambor de taboca, as caixeiras do divino, Mestra Roxa, Rosa Reis e Camila Reis, os percussionistas/ogãs e abatazeiros  Paulinho Akomabu, João Vitor e Kadu Galvão, o batuque dos Caras de Onça,  a Orquestra de Berimbaus dos Mandingueiros do Amanhã, a cantora Anastácia Lia, o babalorixá Mariano Frazão, do Ilê Amahousou, e o casal de dançarinos do Bloco Afro Akomabu Gilmar e Carla Algarves.

O show Etaaré se inspira no conceito “África, o tambor do mundo” e retratará as diferentes musicalidades através dos tambores como linguagens ancestrais a partir do continente africano como terra mãe.

O show ocorrerá dia 30 (quinta-feira), às 19h, na Praça das Mercês, com entrada gratuita.

Por Cris Sousa

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